Nossa Vida

A vida é uma coisa engraçada

Quando saí do Brasil, dia 21 de Maio de 2015, tudo o que eu pensava era “irei visitar meu namorado, passar um tempo com ele e ver se a gente se gosta o bastante para decidirmos por algo permanente”. Mesmo que em alguns momentos a ideia de casamento tenha passado pela minha cabeça, não pensei que seria “por agora”. Eu fui planejando voltar; com a esperança de que se tudo desse certo pra gente, talvez eu voltasse pra casa noiva. Deniz viria ao Brasil me visitar, a gente organizaria nosso casamento e aí sim eu faria as malas e me mudaria para os Estados Unidos.

Mas a vida é uma coisa engraçada. O que a gente sente muda o tempo todo e o que planejamos, nem sempre acontece. Vinte e seis de Julho de 2015, dois meses depois de chegar aos Estados Unidos, Deniz me pediu em casamento. E contra tudo o que eu pensei que faria (ou queria fazer), decidimos nos casar sem pompa e cerimônia. Contei para todos os que eram próximos de mim, e que participavam da minha vida. Conversei com meu pai, e como ele me apoiou, decidi ir em frente com nosso plano. Nos casamos dia 25 de Setembro de 2017, dia do meu aniversário. Foi lindo, verdadeiro e emocionante. E desde esse dia, passamos a fazer todo o necessário para que o quanto antes a gente pudesse ir para o Brasil ver minha família.

Mas a vida é uma coisa engraçada, como eu sempre digo. Poucos meses depois do casamento, Deniz decidiu que queria procurar outro emprego (um novo diretor no hospital em que ele trabalhava começou a mudar tudo, principalmente no departamento dele, e ele não ficou satisfeito com as modificações). Tudo foi bem rápido e dia 4 de Abril de 2016 a gente chegava em Chicago de mala e cuia.

Estávamos ambos felizes e ansiosos. Cidade nova, trabalho novo e início de vida de casados em um lugar completamente novo pra nós dois. Começamos a planejar nossa visita ao Brasil, mas pra isso eu precisava receber meu green-card. E para minha “sorte”, o meu processo estava parado no Texas desde início de Dezembro. Só me restava esperar. Felizmente, após atualizar meu endereço, recebi a carta me chamando para a entrevista aqui em Chicago. Nesse meio tempo, estava aplicando para trabalhos. Fiz entrevistas e fui chamada para trabalhar em um hospital veterinário. Agora, com tudo organizado, começamos a planejar nossa viagem ao Brasil.

Lembra quando eu te disse que a vida é uma coisa engraçada? Pois é! Mais uma vez a vida me mostrou que existe um tempo certo pra tudo. Cerca de dois meses depois de começar no novo emprego, o Deniz veio conversar comigo para dizer que tinha decidido sair. Eu quase tive um treco! Primeiro, era um hospital super-mega-ultra bam-bam-bam; segundo, eu achava loucura ele sair de um emprego que mal tinha começado; terceiro, ele não tinha nenhum outro emprego em vista. Eu trabalhava em shifts de 10-12h no hospital e fazia alguns plantões, mas tava longe de ter um salário suficiente pra nós dois. A gente tinha nossas economias, mas sem o trabalho dele, pouco-a-pouco iamos acabar gastando tudo com aluguel e etc. Pra mim, ele deveria começar a procurar empregos e só sair depois de receber uma oferta. Contra toda a lógica, Deniz saiu do emprego e só depois começou a aplicar para trabalhar em outros hospitais.

Felizmente, bem rápido os empregos começaram a ligar pra ele. Fez várias entrevistas e aí um dos hospitais que ele entrevistou fez uma proposta. Uma proposta melhor que aquela que nos trouxe para Chicago. Em um hospital não tão bam-bam-bam, mas em um cargo melhor, um ambiente de trabalho melhor e à 10 minutos da nossa casa. A vida é ou não é uma coisa engraçada?

Algumas pessoas dizem que isso foi sorte. Eu prefiro acreditar que foi Deus agindo nas nossas vidas, nos mostrando que não importa o que façamos, Ele é quem está no controle de tudo e sabe mais do que a gente. Durante o período de quase 2 meses entre as entrevistas e o ínicio do emprego novo, conseguimos viver da mesma forma de antes, sem tocar em nem $1 das nossas poupanças, ou nosso fundo de emergência. Meu salário no hospital e a rescisão de trabalho foram suficientes. Engraçado né?! Pelos meus cálculos em cerca de 2 meses a gente talvez a gente já teria que começar a pegar dinheiro da poupança pra pagar as contas.

Bom, mas porque eu tô vindo com esse papo filosófico, você deve estar se perguntando. Bom, é porque depois de muita espera, nós finalmente estamos indo para o Brasil. E é felicidade que não se acaba mais pensar que finalmente irei ver a minha família e dar aquele “tchau” que eu não dei há quase 2 anos atrás. E o Deniz irá, finalmente, conhecer pessoalmente a minha família. Certamente não foi como planejei, foi como Deus planejou, então acredito que será ainda melhor. Afinal, a vida é uma coisa engraçada e nessa altura do campeonato, eu já dou gargalhadas com a minha.

Até a pŕoxima!

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