Papo de Expatriado Vida nos Estados Unidos

Primeiro Emprego nos Estados Unidos

Nossa, vocês não têm ideia do quanto eu estava ansiosa para escrever esse post aqui. Porque sim, é isso mesmo o que vocês estão pensando: consegui um emprego! E não é simplesmente um emprego, era o emprego que eu queria. Como vocês já devem saber, eu sou médica veterinária e, infelizmente, pra atuar como médica veterinária por aqui eu preciso validar o meu diploma. Nesse momento eu estou no comecinho do meu processo de validação, que é estudar para tirar uma nota bem alta no TOEFL e revisar todos os tópicos estudados durante os 5 anos do curso de veterinária. É muita coisa gente, vocês não têm idéia. Acontece que só estudar não vai me ajudar a ser veterinária nos EUA, preciso de experiência trabalhando aqui, preciso conhecer gente pra poder ter as tais referências, e preciso aprender muita coisa que só se aprende fazendo. E foi assim que decidi que iria procurar emprego como veterinary assistant/veterinary technician.

Comecei procurando pelas vagas no Indeed e sempre que achava alguma que me interessava e que eu encaixava no perfil, enviava meu currículo e minha cover letter. Infelizmente não são tantas vagas assim porque aqui em Chicago a maioria dos hospitais pedem veterinary technician com licença, o que eu não tenho. Mas algumas vezes eles não pediam, e aí, se eu era qualificada pro trabalho eu me candidatava. Até que um dia vi uma vaga que seria perfeita pra mim. Era pra trabalhar como veterinary assistant no departamento de cirurgia de um hospital veterinário. Apliquei e fiquei esperando.

Uns dois dias depois recebi um e-mail do hospital, dizendo que eles tinham recebido meu currículo e cover letter e que gostariam de agendar um horário para uma conversa pelo telefone, para falarem sobre o trabalho e etc. Quase tive um treco, juro! Essa primeira entrevista é o que o pessoal aqui chama de on-call interview e geralmente é feita com alguém da área de RH. No meu caso, foi com a gerente da parte clínica do hospital.

Segunda-feira, no horário combinado recebi o telefonema do hospital. A entrevista foi tranquila, quase como uma conversa. Ela logo no início mencionou que eu era uma candidata incomum pra eles, uma vez que já era formada em veterinária. Eu falei sobre meu background na profissão e como e porque vim pros Estados Unidos. Falei porque gostaria de trabalhar nesse cargo, quais seriam os desafios, as recompensas. Coisas básicas de entrevista sabe? No final ela disse que gostaria de agendar uma on-site interview e eu mal me aguentei de felicidade. Tudo o que eu precisava era uma oportunidade de fazer o cara-crachá sabe? Porque eu estava confiante de que era uma boa candidata para a vaga.

Quarta-feira de manhã lá estava eu pegando o metrô para ir até o hospital. A ansiedade era tão grande que saí até mais cedo do que planejava. Foi bom porque cheguei com antecedência. Deu até tempo pra parar pra tomar um café antes de ir pro hospital. Chegando lá, me apresentei e aguardei cerca de 5 minutos. Minha entrevista foi com a gerente da parte clínica do hospital (com quem já tinha conversado pelo telefone) e com a gerente do departamento de cirurgia. Durou aproximadamente 1 hora e foram várias perguntas, desde background a o que eu espero nesse trabalho, desafios e etc. Durante a entrevista eles também me explicaram como é o trabalho, faixa de salário (não o salário que vou receber, mas a faixa de salário para o cargo), benefícios, férias, horário de trabalho, conduta e etc. No fim da entrevista fizemos uma ronda pelo departamento de cirurgia onde eu pude ver aonde eu trabalharia (se fosse contratada, claro) e aproveitei para fazer mais algumas perguntas. No fim, me despedi e agradeci pela oportunidade de conversar com eles.

Na Sexta-feira recebi mais um e-mail me convidando para ir ao hospital fazer o que eles chamam de working interview, uma terceira fase de entrevista. Confesso que estava bem nervosa porque não sabia muito o que esperar, mas me preparei e fui. Levei meu scrub dos smurfs e tava tudo bem até a hora em que eu fui trocar de roupa: minha garrafa de água vazou e molhou tudo! Lei de Murphy total! Expliquei o ocorrido e eles me emprestaram um novo. A tal “working interview” foi bem tranquila – acompanhei uma equipe durante a preparação, operação e pós de um cão e pude conversar bastante com eles e ver na prática como é o trabalho. Amei! No fim, fomos pra uma sala de reunião onde eu conversei um pouco sobre as minhas impressões, se eu gostei e etc. Eles ficaram de me dar uma resposta depois do feriado de Memorial Day e na terça-feira recebi a esperada ligação com a oferta de trabalho.

Ao todo, eu enviei meu currículo pra 5 ou 6 hospitais em Chicago e 3 me ligaram me chamando para uma entrevista. Infelizmente, ou felizmente, essas ligações foram depois que eu já estava finalizando meu processo de entrevista. Um inclusive me ligou depois que eu já tinha aceito a vaga. Mas o que eu queria dizer é que vale a pena tentar encontrar um emprego na área de formação no Brasil, mesmo que não seja o mesmo cargo/posição. As vezes demora um pouco mais porque você vai estar competindo, na maioria das vezes, com americanos mas é um começo. É preciso ser fluente em Inglês e ter permissão de trabalho, além das outras qualificações que variam pra cada área/vaga. Não existe nenhum preconceito por você ser estrangeiro, muito pelo contrário. Eles muitas vezes gostam do fato de que a gente fala uma outra língua. Minha dica? Procure por uma vaga que você seja realmente qualificado e não perde tempo aplicando pra vagas em que você se encaixa mais-ou-menos. E por fim, não desiste, nunca!!! 

You Might Also Like...

No Comments

Leave a Reply