Nossa Vida

Olá Mundo!

O que vou dizer irá parecer clichê, mas a verdade é que foi por amor. E começou mais ou menos assim: era 2014 e mais um novo ano se iniciava para mim na selva de pedra conhecida como São Paulo. A vida estava começando a ter uma rotina de morador após uma série de mudanças, que podem ser resumidas assim:

Belo Horizonte / Brasil (27 anos) – Ribe / Dinamarca (2 anos) – Belo Horizonte / Brasil (2 meses) – São Paulo / Brasil ( 1 ano e meio)

Então, posso dizer que estava começando a me acostumar a viver no Brasil e, principalmente, em São Paulo. Já estava trabalhando e já tinha alguns poucos-e-bons amigos. Tinha até alguns planos a médio e curto prazo, para quem sabe uma especialização. Mas sabe como é, vida em cidade nova não é fácil. E em uma cidade como São Paulo, menos ainda. Tudo é grande demais, longe demais, caro demais, complicado demais. O resultado é que nas horas vagas, passava mais tempo em casa do que fora de casa. Mais tempo no computador do que na televisão. Mais tempo online do que offline. E foi assim que conheci o Deniz. E foi assim que minha vida mudou.

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Ao contrário do que pode parecer, não foi nada louco-avassalador. Foi tranquilo. Conversávamos  diariamente durante horas, sobre tudo. Ora em Inglês, ora em Português. Alguns meses depois, a gente já se considerava ’em processo de relacionamento’ – amigos que queriam ser namorados e se tratavam como namorados. Uma situação um tanto complicada pra quem só se vê pela webcam, mas era o que tínhamos disponível, fazer o quê. O tempo foi passando e diante da impossibilidade de ele vir ao Brasil me visitar no final do ano, fui visitá-lo.

Então fiz todo aquele processo chato de solicitar visto de turista no consulado, ficar na fila, ser entrevistada e etc. Mas deu tudo certo; consegui meu visto de turista e em Dezembro viajei para Houston, nos Estados Unidos. Foram 10 dias que simplesmente voaram, mas suficientes para a gente saber que realmente gostávamos um do outro e que gostaríamos de continuar o relacionamento, mesmo à distância. Durante essa viagem declaramos “oficialmente”que estavamos em um relacionamento sério; nossas famílias já sabiam que estavamos namorando mas muitos amigos e familiares distantes não. A decisão de ficarmos quietinhos durante tanto tempo foi mútua – não queríamos divulgar nada sem primeiro nos conhecermos pessoalmente.

Então depois de um first-date que durou 10 dias, voltei para o Brasil em Janeiro feliz da vida. Comecei a pensar em talvez fazer a tal pós-graduação ou mesmo validar meu diploma de Veterinária para poder trabalhar nos Estados Unidos  e por isso comecei a estudar Inglês. Estava tudo bem, até que um belo dia recebo um telefonema que me tirou o chão – minha mãe tinha falecido. Sabe quando a gente tem aqueles sonhos em que estamos caindo? Eu estava em um sonho desses, só que na vida real.

Eu considero que fiquei em estado de choque por 1 mês. Ia ao trabalho, voltava para casa, chorava, dormia e no dia seguinte repetia tudo. E quanto mais o tempo avançava, o estado de choque parecia diminuir e aí a dor aumentava – uma sensação que nem sei explicar direito. A medida que o tempo passava os compromissos foram aumentando e de alguma forma até ajudaram a não pensar muito no assunto, mas o fantasma ainda estava lá – era tocar no assunto, ver uma foto, assistir um programa de TV – uma ‘bobeirinha de nada’ era capaz de arrancar soluços.

Nesse meio tempo, tentávamos manter o relacionamento da melhor forma. Mas a verdade é que eu simplesmente não estava com cabeça pra nada, muito menos estudar. E nisso o tempo foi passando e acho que o Deniz percebeu o quanto estava difícil pra mim fazer tanta coisa ao mesmo tempo, sem conseguir concentrar ou ter ânimo. Ao mesmo tempo, ele queria que a gente se visse novamente e passasse mais tempo junto. Por fim, ele me chamou para visitá-lo novamente, mas dessa vez por um tempo maior. Confesso que fiquei meio sem saber o que fazer. Sei que é lindo e tal, mas isso significaria que eu teria que tirar férias prolongadíssimas, ou seja, sair do meu emprego. Pensei bem mas acabei aceitando.

A verdade é que eu não estava com cabeça nenhuma para nada, fingindo pros outros e pra mim mesma que estava tudo bem, mas não estava nada bem. Tudo o que eu queria era poder ficar quieta no meu canto e ter meu namorado como companhia. E então eu saí do emprego, fiz as malas e fui viajar – literalmente tirei férias de tudo.

Fui primeiro para Miami. Ficamos alguns dias lá durante o feriado de Memorial day na casa dos pais dos Deniz. Achei tudo ótimo e lindo. Depois fomos para Houston, que é de onde escrevo agora. Hoje fazem exatos 3 meses que estou em Houston e muita coisa mudou. Estou bem sabe? Feliz! Estudo durante a semana e nos finais de semana tento fazer algo legal por aqui. Tenho uma lista de lugares que quero ir e aos poucos tento visitar cada um, mas já conheço e aprendi muita coisa. E principalmente, gosto de morar aqui. É diferente de Belo Horizonte, da Dinamarca e de São Paulo; um diferente bom. Durmo e acordo todos os dias ao lado daquele que me presenteou com esse recomeço quando eu mais precisava. E sou imensamente grata e feliz por cada minuto ao lado dele.

E hoje ele disse que quer ficar pra sempre comigo. E bom, passado o choque inicial eu disse sim. Podem tocar os tambores, gritar e fazerem caras de assustados – sim, eu vou me casar!

Até a próxima!

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