Nossa Vida

A vida é uma doce aventura

Eu fiquei pensando em como escrever sobre o fato mais marcante da minha vida, e achei que a melhor forma de escrever sobre esse dia seria escrever o que levou a ele. E começou mais ou menos assim: era 2014 e mais um novo ano se iniciava para mim na selva de pedra conhecida como São Paulo. A vida estava começando a ter uma rotina de morador após uma série de mudanças, que podem ser resumidas assim:

Belo Horizonte / Brasil (27 anos) -> Ribe / Dinamarca (2 anos) -> Belo Horizonte / Brasil (2 meses) -> São Paulo / Brasil ( 1 ano e meio)

Então, posso dizer que estava começando a me acostumar a viver no Brasil e, principalmente, em São Paulo. Já estava trabalhando e já tinha alguns poucos-e-bons amigos. Tinha até alguns planos a médio e curto prazo, para quem sabe uma especialização. Mas sabe como é, vida em cidade nova não é fácil. E em uma cidade como São Paulo, menos ainda. Tudo é grande demais, longe demais, caro demais, complicado demais. O resultado é que nas horas vagas, passava mais tempo em casa do que fora de casa. Mais tempo no computador do que na televisão. Mais tempo online do que offline. E foi assim que conheci o Deniz. E foi assim que minha vida mudou.

No dia 1 de Maio de 2014, Deniz me enviou uma mensagem extremamente simples. Nós não nos conhecíamos, mas um website na internet, por meio de equações matemáticas, achou que teríamos algo em comum. Muito em comum, aliás; 94% de compatibilidade foi o que as equações disseram. Isso fez com que minha foto aparecesse na página do Deniz; acho que vale a pena dizer que essa foto foi tirada em Istambul, na Turquia. (os pais do Deniz são turcos)

Essa mensagem foi o começo. Depois dela, veio dezenas de outras. Veio bate-papos no Facebook e Skype. Veio mensagens no celular. A gente se falava todos os dias, sem exceção. Durante 8 meses, nem por 1 dia sequer ficamos sem dar ao menos um “oi” um pro outro. E durante esses oito meses, um sentimento entre nós nasceu.

Durante esse tempo tivemos nosso primeiro jantar juntos, através da webcam. Eu adormeci enquanto ele falava comigo, pela webcam. Arrumei o cabelo e fiz maquiagem só para nossos encontros de sábado à tarde, também pela webcam. O tempo foi passando e diante da impossibilidade de ele vir ao Brasil me visitar no final do ano, fui visitá-lo. Assim mesmo, na cara e na coragem.

Então fiz todo aquele processo chato de solicitar visto de turista no consulado, ficar na fila, ser entrevistada e etc. Deu tudo certo; consegui meu visto de turista e em Dezembro viajei para Houston, nos Estados Unidos. Foram 10 dias que simplesmente voaram, mas suficientes para a gente saber que realmente gostávamos um do outro e que gostaríamos de continuar o relacionamento, mesmo à distância. Durante essa viagem declaramos “oficialmente”que estávamos em um relacionamento sério. Claro que nossas famílias já sabiam que estávamos namorando, mas muitos amigos e familiares distantes não. E a decisão de ficarmos quietinhos durante tanto tempo foi mútua – não queríamos divulgar nada sem primeiro nos conhecermos pessoalmente.

Quando eu vim para os Estados Unidos em Dezembro do mesmo ano, tudo o que eu (e ele) queríamos era ter certeza; precisávamos saber se o que a gente sentia um por outro sem nunca ter estado no mesmo lugar ao mesmo tempo era real e verdadeiro. Quando voltei para o Brasil, 10 dias depois, já sabia que um dia, no futuro, nós iríamos escolher ficar juntos para sempre.

Voltei para o Brasil em Janeiro feliz da vida. Comecei a pensar em talvez fazer a tal pós-graduação que tanto queria, planejava um novo encontro pra nós dois, refletia como ia ser nossa vida a partir de agora…coisas assim, que a gente pensa quando está namorando. Estava tudo bem, até que um belo dia recebo um telefonema que me tirou o chão – minha mãe tinha falecido. Sabe quando a gente tem aqueles sonhos em que estamos caindo? Eu estava em um sonho desses, só que na vida real.

Eu considero que fiquei em estado de choque por 1 mês. Ia ao trabalho, voltava para casa, chorava, dormia e no dia seguinte repetia tudo. E quanto mais o tempo avançava, o estado de choque parecia diminuir e aí a dor aumentava – uma sensação que nem sei explicar direito. A medida que o tempo passava os compromissos foram aumentando e de alguma forma até ajudaram a não pensar muito no assunto, mas o fantasma ainda estava lá – era tocar no assunto, ver uma foto, assistir um programa de TV – uma ‘bobeirinha de nada’ era capaz de arrancar soluços.

Nesse meio tempo, tentávamos manter o relacionamento da melhor forma. Mas a verdade é que eu simplesmente não estava com cabeça pra nada, muito menos estudar ou trabalhar. E nisso o tempo foi passando e acho que o Deniz percebeu o quanto estava difícil pra mim fazer tanta coisa ao mesmo tempo, sem conseguir concentrar ou ter ânimo. Ao mesmo tempo, ele queria que a gente se visse novamente e passasse mais tempo junto. Por fim, ele me chamou para visitá-lo novamente, mas dessa vez por um tempo maior. Confesso que fiquei meio sem saber o que fazer. Sei que é lindo e tal, mas isso significaria que eu teria que tirar férias prolongadíssimas, ou seja, sair do meu emprego. Pensei bem mas acabei aceitando.

A verdade é que eu não estava com cabeça nenhuma para nada, fingindo pros outros e pra mim mesma que estava tudo bem, mas não estava nada bem. Tudo o que eu queria era poder ficar quieta no meu canto e ter meu namorado como companhia. E então eu saí do emprego, fiz as malas e fui viajar – literalmente tirei férias de tudo.

Fui primeiro para Miami. Ficamos alguns dias lá durante o feriado de Memorial Day na casa dos pais dos Deniz. Achei tudo ótimo e lindo. Depois fomos para Houston, que é de onde escrevo agora. Hoje fazem exatos 3 meses que estou em Houston e muita coisa mudou. Estou bem sabe? Feliz! Estudo durante a semana e nos finais de semana tento fazer algo legal por aqui. Tenho uma lista de lugares que quero ir e aos poucos tento visitar cada um, mas já conheço e aprendi muita coisa. E principalmente, gosto de morar aqui. É diferente de Belo Horizonte, da Dinamarca e de São Paulo; um diferente bom. Durmo e acordo todos os dias ao lado daquele que me presenteou com esse recomeço quando eu mais precisava. E sou imensamente grata e feliz por cada minuto ao lado dele.

Mas não imaginei que seria assim, tão rápido e repentino. E mesmo agora, enquanto escrevo, tudo me parece muito surreal. Quando vim novamente aos Estados Unidos para visitá-lo eu sabia que existia uma chance de que, ao me ver embarcar de volta ao Brasil, ele faria o pedido. Isso era o que eu imaginava que iria acontecer; nas vésperas ou mesmo no dia de voltar, ele iria me propor em casamento. Eu certamente não estava preparada para ouvi-lo dizer “would you marry me?” tão cedo, mas quando ele o disse meu coração em paz disse sim. Porque no fundo, eu sabia que era o que Deus tinha preparado pra nós.

Meu pedido de casamento foi lindo, tão lindo que não consigo descrever em palavras. Mas quando fecho os olhos eu me vejo sentada no nosso sofá e vejo você caminhar sério em minha direção. E lembro de como suas expressões pareciam preocupadas, e de como o meu coração beteu rápido na angústia de não saber o que estava por vir. E sinto o aperto no peito em ouvir você falar sobre a gente, e as lágrimas escorrerem quando você me pediu para ficar o resto da minha vida ao seu lado. E foi assim que 15 meses depois do nosso primeiro “oi” nós começamos um novo capítulo nas nossas vidas. E nós estamos muito, muito felizes por nossa decisão.

E agora sim posso dizer: “que rufem os tambores, eu vou me casar!”

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